Plasttica Cirurgia plástica
Plasttica Cirurgia plástica · Santos

Blog · Decisão · 7 min de leitura

O que perguntar na consulta de avaliação com o cirurgião plástico

A consulta de avaliação dura menos do que a dúvida que a gente leva para ela. Chegar com as perguntas escritas é o jeito de sair de lá com resposta, e não com a sensação de que esqueceu de perguntar o mais importante.

Publicado em 1 de outubro de 2026 Revisão técnica: Dra. Letícia Mendes Esteves Lima
Mulher anota perguntas num caderno, ao lado de uma xícara de café, antes da consulta

Resposta curta

Leve quatro grupos de perguntas: quem vai operar, qual técnica e por que ela no seu caso, como serão a anestesia e o hospital, e quem acompanha você depois. E saiba que as normas do CFM garantem tempo para perguntar, tempo para decidir e o direito de desistir.

Quase toda paciente conta a mesma coisa depois da primeira consulta: entrou com uma dúvida grande, saiu com várias respostas boas, e lembrou no carro da pergunta que mais queria ter feito.

Isso não é distração. A consulta é o primeiro contato com um assunto novo, com vocabulário novo, e a atenção vai para o que está sendo explicado. A pergunta que estava na cabeça fica para depois.

A solução é simples: escrever antes. Abaixo estão as perguntas que fazem diferença, organizadas pelo momento em que elas pesam na decisão.

Por que levar as perguntas escritas?

Porque perguntar é parte do processo, e não um favor. A Recomendação nº 1/2016 do Conselho Federal de Medicina, que orienta o consentimento livre e esclarecido, diz que “é preciso reservar tempo para que o paciente faça suas indagações”. O mesmo texto prevê que o termo de consentimento tenha espaço em branco para a paciente escrever perguntas a serem respondidas pelo médico.

Há também um motivo de resultado. Um estudo em cirurgia estética nasal encontrou correlação forte entre o quanto as expectativas da paciente foram atendidas e a satisfação depois da cirurgia. Correlação não é garantia, mas aponta o mesmo caminho: expectativa conversada antes pesa no que se sente depois. E expectativa só se ajusta perguntando.

Sobre quem vai operar: o que perguntar?

Esta é a parte que dá para conferir antes mesmo de marcar a consulta. Registro no Conselho e título de especialista são públicos, e explicamos o passo a passo em como saber se um cirurgião plástico é qualificado.

Na consulta, as perguntas que completam essa verificação são outras:

  • Quem vai operar de fato? A pessoa que avalia é a mesma que estará no centro cirúrgico?
  • Quem mais estará na equipe? Quem auxilia, quem é o anestesista.
  • Com que frequência a cirurgiã faz este procedimento? Não existe número certo, mas a resposta mostra familiaridade com o que você está pedindo.

Sobre o que será feito: quais perguntas importam?

É aqui que a consulta mais rende, porque nenhum texto da internet responde por você.

  • Qual técnica a senhora indica para o meu caso, e por quê? A resposta boa fala do seu corpo, não da técnica em geral.
  • Quais são as alternativas? Incluindo outra técnica, um procedimento menor, ou não operar agora.
  • O que esta cirurgia não resolve? Talvez a pergunta mais útil da lista. Toda técnica tem limite, e conhecer o limite é o que evita frustração.
  • Onde fica a cicatriz e como ela costuma evoluir?
  • Quais são os riscos mais comuns neste procedimento, e o que acontece se um deles ocorrer?

A Recomendação CFM nº 1/2016 lista o que o termo de consentimento deve conter obrigatoriamente: benefícios esperados, riscos, métodos alternativos e as consequências de não fazer o procedimento. Se algum desses quatro pontos não apareceu na conversa, vale perguntar.

Sobre a anestesia e o hospital: o que precisa ficar claro?

Pouca gente pergunta sobre isso, e é onde estão regras objetivas. A Resolução CFM nº 2.174/2017 organiza a segurança da anestesia, e dela saem perguntas diretas:

PerguntaO que a norma estabelece
Vou conversar com o anestesista antes do dia?Para cirurgia eletiva, recomenda-se consulta pré-anestésica em consultório, antes da internação
O anestesista fica na sala o tempo todo?Em anestesia geral ou regional, deve permanecer dentro da sala, com vigilância permanente, até o fim do ato anestésico
Para onde vou quando a cirurgia termina?Para a sala de recuperação pós-anestésica ou CTI, conforme o caso, com médico responsável no setor
Vou assinar um termo da anestesia?Sim: o anestesista deve obter um termo específico, com técnicas, vantagens, desvantagens e riscos, em linguagem clara

Vale perguntar também em qual hospital a cirurgia será feita e quanto tempo de internação está previsto. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta a verificar se o local tem infraestrutura adequada, licença e cumpre as normas da Vigilância Sanitária.

Sobre o depois: o que perguntar da recuperação?

A recuperação é o período em que mais surgem dúvidas, e o momento em que menos dá para esperar resposta.

  • Quem eu procuro se algo me preocupar fora do horário? Um telefone, um nome.
  • Quantas consultas de retorno estão previstas, e por quanto tempo?
  • Quanto tempo devo planejar longe do trabalho e de esforço físico? O prazo varia com o procedimento e com cada pessoa, e é a cirurgiã que pode estimá-lo para o seu caso.
  • Vou precisar de ajuda em casa nos primeiros dias?

Para quem está considerando abdominoplastia, escrevemos sobre como costuma ser a recuperação semana a semana, o que ajuda a chegar à consulta com perguntas mais precisas.

Quais respostas merecem atenção?

Algumas respostas dizem mais sobre a conduta do que sobre a cirurgia. A Resolução CFM nº 2.336/2023, que regula a publicidade médica, ajuda a reconhecê-las:

  • Promessa de resultado. Nenhum médico pode garantir como o seu corpo vai responder. Cicatrização é individual.
  • Pressa para fechar data. A recomendação do CFM sugere justamente o contrário: ler o termo com calma, conversar com quem você confia, anotar dúvidas e voltar a falar com o médico.
  • Preço como argumento principal. Valor importa, mas não deveria ser o centro da conversa sobre o que será feito no seu corpo.
  • Dúvida tratada com impaciência. Pela mesma recomendação, a paciente insegura deve ser atendida com presteza, respeito e sem constrangimento.

E uma garantia que pouca gente conhece: o consentimento pode ser retirado a qualquer tempo, sem prejuízo para você. Assinar o termo não é compromisso irreversível.

Perguntas frequentes

Posso levar uma lista de perguntas para a consulta?

Pode, e é recomendável. A Recomendação CFM nº 1/2016 diz que é preciso reservar tempo para que o paciente faça suas indagações, e prevê até espaço no termo de consentimento para perguntas a serem respondidas pelo médico.

Preciso decidir sobre a cirurgia no dia da consulta?

Não. A mesma recomendação sugere que o termo seja lido com calma, discutido com família e amigos, com anotação das dúvidas, e que a paciente volte a conversar com o médico até se sentir esclarecida.

O anestesista fica na sala durante toda a cirurgia?

Deve ficar. A Resolução CFM nº 2.174/2017 determina que, em anestesia geral ou regional, o anestesista permaneça dentro da sala, com vigilância permanente, até o término do ato anestésico.

Posso desistir depois de assinar o termo de consentimento?

Pode. O consentimento pode ser retirado a qualquer tempo sem desvantagem para a paciente. A exceção é quando o procedimento já começou e interrompê-lo traria risco.

Por que a clínica não mostra fotos de antes e depois na consulta?

Porque a Resolução CFM nº 2.336/2023 restringe esse uso, e porque a foto de outra pessoa não diz como o seu corpo vai cicatrizar. O que a consulta deve oferecer no lugar é a explicação do que a técnica muda e do que ela não muda no seu caso.

Traga as suas perguntas

Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp e agende sua consulta de avaliação em Santos. A conversa é para você decidir com calma, sem compromisso de cirurgia.

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Dra. Bruna Baptista Alves, cirurgiã plástica da Plasttica

Autoria

Dra. Bruna Baptista Alves

Cirurgiã plástica · RQE 139343 · CRM-SP 192929 · Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

Formada pela Universidade São Francisco, com residência em Cirurgia Geral no Centro Médico de Campinas e Cirurgia Plástica pela Santa Casa de Santos. Atende em Santos com foco em contorno corporal.

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